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Serj Tankian: 'Recomecem tudo de novo'

Postado em 21.07.12 | Categoria(s): Serj Tankian Solo
"Para juntar ao catastrófico número de mortes em massa de pássaros e peixes que ocorreram em 2011, apareceram, recentemente, mais de 500 pinguins mortos na costa brasileira. Presume-se que o motivo da morte é uma combinação de fome, poluição ambiental e mudanças climatéricas. Nós ainda não conseguimos achar uma explicação integralmente científica para a morte dos pássaros e peixes que houve por todo o mundo, a não ser o termo "harakiri". Foi esse o título que dei para a minha música e álbum, ao discutir esses acontecimentos. A possibilidade de grandes espécies cometerem um suícidio ritualístico baseado na inexistência de comida e/ou devido a condições ambientais adversas não é algo absurdo nos dias de hoje. O termo também reflete o suícidio inconsciente, relacionado ao nosso estilo de vida, que parecemos estar cometendo juntos neste planeta, com a nossa pegada de carbono, consumo excessivo e desperdício. A morte de todas essas espécies, assim como o perigoso desaparecimento de abelhas, é um forte presságio do nosso próprio fim.

No geral, nós somos bastante inconscientes da interconetividade dos eventos por todo o mundo. Por exemplo, os fracos níveis de pluviosidade na região equatorial, especialmente na parte sub-Sahara, levará a que muitos emigrem para norte, causando ainda mais problemas políticos na Europa, direcionando partidos e populações ainda mais para a direita. Criação de empregos em áreas de recursos poluentes para satisfazer preocupações econômicas imediatas levará a um menor investimento em energias renováveis e ao comprometimento de todas as espécies, a longo prazo. Mudanças climáticas se tornaram no arqui-inimigo da civilização e, por isso mesmo, esse assunto não tem tido importância senão recentemente. Manifestações por parte dos civis, ocupações, depressões econômicas e declínios dos índices econômicos são assuntos de menor importância, comparados com a taxa de devastação ambiental que cresce rapidamente e de forma tão óbvia à nossa frente. A superpopulação da saída líquida de carbono não pode ser superada pelo protocolo de Quioto, nem por pequenas mudanças no nosso estilo de vida. Nós precisamos começar a prever o que vem depois porque este modelo atual está totalmente ultrapassado.


Um jornalista recentemente me perguntou se eu me referia ao fim do mundo. Instintivamente, eu respondi que não, eu estou me referindo ao fim das nossas palavras. Nós seguimos a nossa ascendência de todas as antigas civilizações através dos escritos deles, desde pinturas nas cavernas até manuscritos em papiro, até livros, e agora até registros digitais. A Terra tem bilhões de anos, a humanidade tem milhões de anos, enquanto que a civilização só existe há cerca de 10.000 anos. Todas as religiões modernas foram criadas nas construções da cidade da civilização, tendo construções e limitações semelhantes, todas patriarcais. Nós estamos ignorando o intuitivo, materno senso do nosso passado indígena. Humanos foram colocados neste planeta como zeladores, não como apenas ocupadores, que é o que nós nos tornámos, numa escala global. A civilização incentivou o progresso na psicologia, tecnologia e nas ciências, todas as áreas da parte esquerda do cérebro. Nós não seremos capazes de enfrentar as marés de mudança sem um bom equilíbrio entre o nosso presente psicológico e tecnológico e o nosso passado intuitivo e indígena.

O animal dominante tem produzido demais e está causando estragos no nosso ambiente. É assim que seríamos vistos por uma raça alienígena ou por outras espécies. Nós ligamos a televisão e vemos mortes em massa, bombas, guerra, gome, enchentes, e ainda assim chegamos à nossa reunião das duas da tarde sem qualquer atraso.

Recomecem tudo de novo.

Serj Tankian"

Fonte: Huffpost - Tradução: Mitu Djakarian
 
Postado por Vander Amorin

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